segunda-feira, 16 de maio de 2011

Por um instante que seja

Não era bem o que eu queria fazer. Mas, por ter sido feito, satisfaz a simples vontade de fazer - por um instante que seja. É assim que sorrio, fazendo o que só posso fazer naquele momento. Se o tempo passar não será ruim, só será outra coisa. E esta, como aquela, sendo experimentada, irá também satisfazer... por um instante que seja.

Gerundando

Hoje é apenas em uma multiplicidade de seres. Agora eu sou o que eu não posso mais ser, e já sendo deixo de ser porque daqui a pouco serei de novo. É sendo por aí que nós vamos. Estando sempre no gerúndio eu passo os dias sentindo, olhando, querendo, sonhando, experimentando. Tendo sentimentos difusos que só a nossa gramática insiste em usar. É que ela, assim como eu, se esforça em dizer o não dito. Nos esforçamos na construção de linhas marginais e pulverizadas que expressem o que não pode ser entendido, tentando, então, entender. Trata-se de um entendendo tentando. Gerundando não somente experimentamos, mas vamos experimentando.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Minha reza

Passei algum tempo tentando descobrir como se rezava, e como é que uma reza poderia ter resultado. Depois esqueci essa história de aprender a rezar, mal lembrava das coisas boas da vida, até o dia em que meu corpo chorou. Meu corpo e meu coração pediam proteção, aquela que só você pode se dar, só você.
Foi então que voltei a pensar na história da reza, e comecei a achar que minha força era minha reza. O dia em que minha cabeça se perdeu foi quando o meu corpo gritou, mas o dia em que voltei a pensar, eu voltei a rezar.
Pois é, minha oração vem da minha cabeça, estravaza meu corpo e esquece até de onde veio. Mas a reza veio de mim: dos meus poros suados, dos meus cabelos caídos, dá ponta do meu pé! Foi assim que me benzi e acalmei meu coração. Me protegi para me mover.
E sabe-se lá o nome que o mundo resolveu dar a minha reza: força, fé, energia, Deus, santo, ciência, concentração... não importa. O que importa é que sinto. E é o meu sentir que me faz andar, e então assim passo o dia rezando.
Nessa andança de reza é que tudo se explode: corpo, mente, coração, emoção... tudo em nós se confunde, não existem mais nomes. E quando volto então a lembrar da reza a explosão não cessa, mas passa a me empurrar, a me fazer andar. E então, mais uma vez sentir-me me faz andar, e é rezando que ando.
E agora entendi, não tem mais como esquecer essa história de reza. Porém comeco apenas a achar que ela está em mim, queira eu ou não. Goste eu ou não meu exercício passa a ser nossa caminhada, nossa dança. E estou calma agora... minha reza não é suplício, minha reza são minhas boas lembranças!
lsg

sem dias e noites

Amanheci apenas para anoitecer.

(sem entardecer)

lsg

domingo, 23 de janeiro de 2011

se (2)

Se eu pudesse eu me unia.
Se eu pudesse eu voltava.
Se eu pudesse.


lsg

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

se

se eu pudesse eu me partia.
se eu pudesse eu partia.
se eu pudesse.


lsg

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O que tenho

Tenho sentimentos à flor da pele, exalando vontade, passando longe de qualquer razão. Não posso explicar essa força que de tanto ser tanto me enfraquece.
Tenho um horizonte difícil de alcançar, impossível de entender mas que me sorri. E quanto a mim, só posso também sorri-lo.
Tenho um coração que pulsa, que sangra e escorre por todo o meu corpo, por toda essa alma que é de carne.
Tenho sede, e não matá-la dá medo. Deixa a garganta seca, a ponto de não ter mais o que falar, de não conseguir gritar.
Tenho uma vida! Essa é a única certeza que posso ter. É por ela que passo, é nela que amo, é com ela que amo. Deixo que ela me empurre para que eu esteja mais certa que estou no mundo. E quem sabe então também te ter.
Tenho um pulmão que insiste em respirar, que não pára de suspirar e que está enxarcado com aquele sangue que me percorre. Pulmão, coração, mãos, olhos, ..., tudo em mim pulsa. Tudo em mim cala porque agora quer ouvir.
Tenho então, ouvidos que esperam, orelhas que arrepiam, dedos que protegem e cuidam de nossos sons. O peito está aqui, está ali, está esparramado por mim. Está quente, sente saudades, ama de todas as formas. Sua pulsação ora me escancara, e ora me encolhe. E não tento entende-la porque é como se não me fosse permitido.
Tenho porque me quero, porque te quero, porque nos quero.
Tenho todo o querer para me aquecer.

(suspiro para espantar o frio. E então reparo o quanto sinto, sinto, sinto, sinto... - no ritmo do meu coração)

lsg