segunda-feira, 18 de julho de 2011

Efêmero

Em tempos de efemeridade é preciso sentir... é preciso retornar para avançar, para me agrupar.
Em tempos efêmeros eu quero é bandiar, eu quero é ser bando.
Só sou se formos e é sendo que somos.

Em tempos de efemeridade eu quero mais é que sintamos... eu quero que retornemos para nos agrupar.
Em tempos efêmeros eu quero é que bandiemos, nós queremos bandiar.
Só somos, não sou.
Nesses tempos é preciso que queiramos!

lsg


segunda-feira, 20 de junho de 2011

In

Inconsolável Inconsciente.
Incompreensível Insensatez.
Intolerante Ingratidão.

In 'Mim'. 2011.

Tantas...

Foram tantos desejos que ela se perdeu.

Quando se descobriu sendo muitas não soube mais o que era. Era muitas, só isso que sabia.
Sentia muitos cheiros, via muitas cores, dormia muitos sonos e dançava muitos passos... Era tantas... que até seus suspiros cansavam.

Cansava de ser muitas. Mas sabia que não podia mais ser só uma.
Foi assim que se perdeu.
E até hoje não encontrou respostas, pois mal sabia o que perguntar.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Por um instante que seja

Não era bem o que eu queria fazer. Mas, por ter sido feito, satisfaz a simples vontade de fazer - por um instante que seja. É assim que sorrio, fazendo o que só posso fazer naquele momento. Se o tempo passar não será ruim, só será outra coisa. E esta, como aquela, sendo experimentada, irá também satisfazer... por um instante que seja.

Gerundando

Hoje é apenas em uma multiplicidade de seres. Agora eu sou o que eu não posso mais ser, e já sendo deixo de ser porque daqui a pouco serei de novo. É sendo por aí que nós vamos. Estando sempre no gerúndio eu passo os dias sentindo, olhando, querendo, sonhando, experimentando. Tendo sentimentos difusos que só a nossa gramática insiste em usar. É que ela, assim como eu, se esforça em dizer o não dito. Nos esforçamos na construção de linhas marginais e pulverizadas que expressem o que não pode ser entendido, tentando, então, entender. Trata-se de um entendendo tentando. Gerundando não somente experimentamos, mas vamos experimentando.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Minha reza

Passei algum tempo tentando descobrir como se rezava, e como é que uma reza poderia ter resultado. Depois esqueci essa história de aprender a rezar, mal lembrava das coisas boas da vida, até o dia em que meu corpo chorou. Meu corpo e meu coração pediam proteção, aquela que só você pode se dar, só você.
Foi então que voltei a pensar na história da reza, e comecei a achar que minha força era minha reza. O dia em que minha cabeça se perdeu foi quando o meu corpo gritou, mas o dia em que voltei a pensar, eu voltei a rezar.
Pois é, minha oração vem da minha cabeça, estravaza meu corpo e esquece até de onde veio. Mas a reza veio de mim: dos meus poros suados, dos meus cabelos caídos, dá ponta do meu pé! Foi assim que me benzi e acalmei meu coração. Me protegi para me mover.
E sabe-se lá o nome que o mundo resolveu dar a minha reza: força, fé, energia, Deus, santo, ciência, concentração... não importa. O que importa é que sinto. E é o meu sentir que me faz andar, e então assim passo o dia rezando.
Nessa andança de reza é que tudo se explode: corpo, mente, coração, emoção... tudo em nós se confunde, não existem mais nomes. E quando volto então a lembrar da reza a explosão não cessa, mas passa a me empurrar, a me fazer andar. E então, mais uma vez sentir-me me faz andar, e é rezando que ando.
E agora entendi, não tem mais como esquecer essa história de reza. Porém comeco apenas a achar que ela está em mim, queira eu ou não. Goste eu ou não meu exercício passa a ser nossa caminhada, nossa dança. E estou calma agora... minha reza não é suplício, minha reza são minhas boas lembranças!
lsg

sem dias e noites

Amanheci apenas para anoitecer.

(sem entardecer)

lsg